quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SUPERBACTÉRIA CHEGA À EUROPA E DEIXA O MUNDO EM ALERTA

Micro-organismo, resistente a todos os antibióticos conhecidos, surgiu no sul da Ásia e ‘viajou’ para o Reino Unido.

Cerca de um ano após o vírus da gripe suína ter alarmado autoridades, profissionais de saúde e cidadãos em todo o mundo, um micro-organismo promete ser alvo dos holofotes médicos por um bom tempo. Trata-se de uma nova cepa super-resistente da bactéria E.coli (Escherichia coli), que pode levar à morte por pneumonias e infecções urinárias.

Em artigo publicado recentemente na revista científica ‘The Lancet’, cientistas relataram que os primeiros casos de doenças causadas pela bactéria mutante surgiram na Índia e Paquistão, de onde foram levadas para o Reino Unido por turistas que viajaram ao sul da Ásia com o objetivo de fazer cirurgias estéticas.

Pesquisadores identificaram na E.coli a enzima chamada de NDM-1, produzida por um gene que confere altíssimo nível de resistência aos antibióticos.

Segundo o descobridor do gene, Tim Walsh, da Universidade de Cardiff, o grande temor é a falta de medicamentos que possam combatê-la.
“Temos prazo de 10 anos para desenvolver um medicamento capaz de tratar esse tipo de infecção. É a primeira vez que chegamos a um estágio tão ameaçador com este tipo de bactéria”, afirmou.

Para o coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Instituto Fernandes Figueira, Carlos Eduardo Figueiredo, uma das classes de antibióticos que poderia ser usada é a polinixina.

“Essa é uma droga que era usada há 20, 30 anos, e foi deixada de lado por ser muito tóxica. Se não houver outra solução, ela terá que ser adotada novamente”, disse o profissional.

Já o chefe do Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital do Fundão, Alberto Chebabo, lembra que no Brasil há uma bactéria com perfil de resistência semelhante à E. coli: a Klebsiella.

“Assim como a E. coli, ela também faz parte da flora intestinal e foi identificada no Brasil, inclusive no Rio de Janeiro.
Se a imunidade do paciente está baixa, ou se ele tem maus hábitos de higiene, tanto a Klebsiella, quanto a E. coli podem causar infecções difíceis de serem tratadas, por serem muito resistentes. Por isso é importante ficar atento”, conclui Chebabo.

Apesar de todo o alerta que a nova bactéria causou em pesquisadores europeus, medidas ainda não foram tomadas por aqui.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as secretarias municipal e estadual de Saúde do Rio ainda não foram notificadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a respeito do problema.
Pelo menos em relação à gripe suína o mundo já pode respirar aliviado: ontem a OMS declarou o fim da pandemia.

Mulheres correm mais risco de contrair infecções

O infectologista da UFRJ Edmilson Migowiski explica que as mulheres são mais suscetíveis a doenças causadas pelas bactérias super-resistentes.

“A E. coli é o agente principal de infecção urinária em mulheres. Isso porque ela vive na flora intestinal, o que facilita a contaminação do períneo”, explica o profissional.

Segundo Migowski, o intestino tem capacidade de manter as bactérias sem, no entanto, deixar que elas atuem no organismo. Entretanto, isso pode mudar com a baixa imunidade.

“Da corrente sanguínea, ela adere às paredes dos órgãos, onde se alimenta de restos de células e de outras bactérias, produzindo infecção e toxinas.

Dependendo do órgão que ela atinge, pode causar diarreia, pneumonia e até choque”, esclarece.

O infectologista ressalta que ninguém está livre de desenvolver doenças pela bactéria mutante.
“Em contato com o tipo não-mutante, a E.coli pode passar a informação que dá resistência para as outras, fazendo com que todas se tornem super-resistentes”.
PREVINA-SE

HIGIENE: Não é só a gripe suína que pode ser evitada com o simples gesto de lavar as mãos. Esse tipo de higiene pode prevenir muitas outras doenças, inclusive as infecções por super-bactérias.

Evite compartilhar objetos de uso pessoal.

Lave bem os utensílios antes de usar.

ALIMENTAÇÃO: Evite beber água de poço e nadar em rios e lagos, que podem estar contaminados.

Lave bem os alimentos antes de comer, principalmente saladas e frutas.

Evite comer molhos, como maionese, na rua. Podem estar estragados.

Frituras e embutidos também devem ser evitados.

FONTE: www.odia.terra.com.br - Reportagem de Clarissa Mello e João Ricardo Gonçalves.






Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.