sexta-feira, 27 de novembro de 2015

SOERN se une a entidades da categoria para participar de Audiência Pública que trata da Precarização do Trabalho no SUS

Na tarde de ontem (26), representantes do SOERN, FIO, CRO-RN, Conselho Federal de Odontologia, além de profissionais da área, participaram de Audiência Pública sobre a Precarização do trabalho no SUS, mediada pelo deputado estadual Fernando Mineiro (PT). A audiência foi transmitida ao vivo pela TV Assembleia.
Quem começou o debate foi o professor Moacir Tavares, que veio do Ceará para falar sobre o financiamento do SUS. “No Brasil nos tivemos 448,1 bilhões relativos a despesa total com saúde em 2014, equivalente a 8,1% do PIB, que atingiu 5,5 trilhões, segundo IBGE. Desse total, 48,3% corresponde a gastos públicos. Diferente de outros países, que utilizam 70 a 80%. Os 216 bilhões de despesas públicas com a saúde corresponde a 3,9% do PIB”, resume. Em seguida ensinou como deve ser feita a conta: 1,7% da União; 1% dos Estados e 1,2% dos municípios. “Há um desequilíbrio entre quem pode, quem arrecada mais e quem coloca mais no sistema”, explica.  
Em seguida, quem deixou sua palavra foi supervisor técnico do Dieese RN, Melquisedec Moreira, que saudou a todos e disse que atendendo a demanda do SOERN, buscou uma alternativa para resolver a questão dos péssimos salários no RN, inclusive fazendo uma recuperação histórica de toda legislação e os pisos no Brasil.
Já a chefe dos recursos humanos da SESAP-RN, Ângela Lobo, falou sobre que a SESAP se preocupa tanto com  as categorias profissionais quanto com a assistência. "Temos em nosso quadro servidores efetivos cirurgiões dentistas e o bucomaxilos,  que são, inclusive, equiparados a médicos. Temos servidores que fazem parte do quadro do Estado, mas que estão a disposição do município”, disse e acrescentou que o os municípios precisam tomar conta da substituição dessas pessoas, com vagas de concursos e provimentos próprios do quadro municipal para que não haja desassistência, uma vez que as pessoas vão se aposentar e vão começar a sair dos quadros.
O presidente do CRO-RN, Gláucio Morais falou da visita que a entidade fez aos municípios do Estado. “As unidades de atendimento, com raras exceções, apresentam instalações físicas degradáveis. É necessária a obtenção de material, instrumentos, insumos e manutenção de equipamentos inadequados. Além da falta de condição de trabalho, observamos uma situação onde imperam as contratações precárias, ou seja, sem concurso público, baixos salários, sobretudo os profissionais que atual na Estratégia de Saúde da Família”, denunciou e disse que os dentistas são profissionais importantes em todos os níveis de assistência.  “Fazemos diagnostico, prescrevemos e tratamos de doenças. Promovemos a saúde. Merecemos mais respeito e atenção dos gestores”.
O representante do CFO, Eimar lopes, também deixou sua mensagem na Plenária. “O SUS é o maior patrimônio da sociedade desse País, portanto, temos que zelar por ele. Esse mesmo SUS que nos rechaça e nos tira a dignidade no dia-a-dia do nosso trabalho, não pode deixar de ser reconhecido como SUS que salva. Nenhum país do mundo tem o projeto de inclusão que o nosso SUS tem. Ele precisa ser primeiramente entendido para que a gente possa encontrar os caminhos”, completa.
Apesar de ter participado na mesa para representar a FIO, Teresa Neumman optou por falar na qualidade de servidora do Estado. “Enquanto a mesa se pronunciava, eu pensava no desgaste que havia para sair de casa para trabalhar, em condições péssimas e com um salário no final do mês aviltante, desprezível e desesperador. Estou há 26 anos no Estado e, pasmem, com salário base de R$ 1.700,00. Que estimulo se tem para sair de casa como cirurgiã dentista, com inúmeras pós-graduações para dar qualidade de assistência ao meu paciente, porém sem motivação?”, questionou. Ela aproveitou o momento para fazer um apelo para que a categoria se valorize. “Se achem merecedores de um salário base que possa dar qualidade de vida a nossas famílias”, resume.
Quem encerrou os pronunciamentos foi o presidente do SOERN, Ivan Tavares, que falou do seu descontentamento com a mudança da coordenadoria da saúde bucal do Ministério da Saúde. “Quem nos representava lá era Rosângela, uma pessoa comprometida com a história do SUS no Brasil, com serviços prestados à comunidade brasileira e a odontologia deste país. Ela foi substituída por Dr. Ademir Bassic, comprometido umbilicalmente com as empresas de saúde privadas, diretor financeiro da empresa Pró Dente Assistência Odontológica Ltda", lamentou Ivan, que disse, também que Ademir é desconhecido dos movimentos sociais de saúde do Brasil e é ligado ao Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de grupos que financiam campanhas eleitorais. "Tememos nesse momento a continuidade do Brasil Sorridente. Nem sempre tivemos tantos empregos públicos no Brasil e isso agora está arriscado de acabar", alerta o presidente do SOERN.
Ainda em seu discurso, Ivan Tavares falou das cobranças feitas por parte da justiça e da sociedade  e dos salários inversamente proporcional a tudo isso. "Convidamos o Ministério Público para se fazer presente na audiência, mas ele mais uma vez não veio. Por que cobrar ponto eletrônico de quem ganha R$ 1.600 reais? Será que eles não tem dedos lá não para implantar isso para deles? Não vou nem discutir quanto eles ganham, pois eles têm um papel importante para redemocratização do nosso país, mas eles precisam rever seus conceitos", enfatizou e em um tom descontente, disse: "Somos cidadãos que estamos sendo tratados como escravos e chegou nossa hora de dar um grito de liberdade. Não temos o dever de passar fome para sustentar o SUS, que está virando nosso algoz", encerra.











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