domingo, 3 de julho de 2016

SOERN e CRO-RN promovem caminhada em prol da Odontologia no Seridó

Com objetivo de discutir a situação dos cirurgiões-dentistas da região do Seridó, representantes do SOERN e do CRO-RN se reuniram na manhã do último dia 1º de julho, na Casa do Empresário, em Caicó. Na oportunidade os participantes falaram sobre as condições de trabalho, concurso público e sobre as possibilidades de implantação do piso salarial estadual, estabelecido pelo SOERN em parceria com o DIEESE. A reunião contou, ainda, com uma caminhada pelas ruas, em protesto, até a sede da administração municipal.

Quem iniciou as apresentações foi o presidente do SOERN, Ivan Tavares, que falou sobre a situação atual que vivem os dentistas do Rio Grande do Norte, funcionários do Estado e Municípios. “Muitos sem carteira assinada, nem direitos trabalhistas, contratos em sua maioria sem assinatura (de boca) e sem perspectiva de mudanças nenhuma”, lamentou. Ele disse, ainda, que com os salários defasados, a grande maioria conseguia se manter trabalhando paralelamente em consultórios particulares, mas o Ministério Público está batendo em cima das 40 horas. “Em reunião recente ouvi a promotora dizer que se tiver que prender 400 dentistas, vai prender, mas que vai ser bem rigorosa na fiscalização”, comenta.

O presidente do CRO-RN, Glaucio Morais, também deixou suas palavras sobre a fiscalização severa das 40 horas trabalhadas. “O Conselho não pode defender uma ilegalidade, mas estamos na luta por entender que é ilegítimo e antiético um gestor oferecer 900 reais de salário base. Inclusive fere a Constituição, que diz que seu salário deve ser digno para você ter moradia e lazer. Acredito que o salário deve ser de acordo com o nível de complexidade que você exerce”, completa. “Se nos tivéssemos o mesmo rigor que o Ministério tem para cobrar as 40 horas de trabalho, seriam interditadas mais de 70% das unidades de saúde, que visitamos no último ano no RN, por falta de condição. Trata-se de uma luta de gigantes, mas a partir da nossa indignação, começa a aparecer a ponta do iceberg”, acrescenta.

Na sequência, alguns dentistas também aproveitaram o momento para levantar algumas questões, confira:

Valéria, De São José do Sabugi, lotada em Jucurutu
 “Seria interessante ir nos municípios para tentar fazer com que os mesmos implantassem o plano, porque através dele, com especialização, mestrado e etc., nós teríamos condições de crescer, sem precisar mendigar direto aumento de salário.

André Gustavo Othon, de Currais Novos

“Aqui é a hora e o momento das lamentações. Todos temos um objetivo comum. Vamos nos lamentar porque tudo pode piorar. Em Currais Novos, perdemos o FGTS, tivemos um ganho insignificante no salário. Nosso salário base é o mínimo acrescido do anuênio de 1%. Nosso salário não é dos menores, mas temos um base que é o mínimo. A Secretaria de Saúde criou uma CPL específica, mas não criou um departamento de compras. Vivemos o maior desabastecimento que a Cidade já viveu nos últimos anos. Faltando tudo, desde anestésico até gazes”.

Rafael, de Caicó

“O plano de cargos e salários foi aprovado em 2009, entrou em vigor em 2010. Aqui, em Caicó, foi feito um concurso e os cargos foram criados com salário base de 900 reais, valor que sem manteve até 2012, quando conseguimos um reajuste, que na verdade foi apenas um nivelamento de acordo com as perdas inflacionárias do período. O nosso foco principal não deve ser o Ministério Público, já que o órgão apenas cobra as decisões finais da justiça. Precisamos meter a cara no meio da rua e lutar por nosso plano de cargos e salários”.


Teófilo Rêgo, de Tenente Laurentino

“Sou concursado em Tenente Laurentino e minha realidade não é diferente da de vocês. Lá o nosso salário base é de R$ 1.800, ganhamos 20% de insalubridade sobre o salário mínimo. Temos um plano de cargos aprovado que, por questões políticas, a atual gestão não quis por em prática. Se não nos mobilizarmos, não vamos conseguir nada. Os leões que falam ferozmente no whatsApp, deveriam estar aqui! Estou na luta disposto a brigar junto com vocês”.


Erasmo Freitas, de Parelhas

“A maior prova de amor que posso dar para Odontologia é não prostituir ela. Trabalhar de graça, somente para minha mãe. Não estamos contra as 40 horas, estamos lutando contra o salário base de R$ 880,00. Isso não é um salário base de quem tem nível superior e um trabalho de alta complexidade”.


Ariane Ribeiro, de Jardim do Seridó

“A luta é também da enfermagem, do técnico de enfermagem, do agente de saúde. Se a união for feita a produtividade acontece em relação ao plano de cargos. Um plano de cargos deve ser bem feito e bem amarrado, assessorado juridicamente”. 

Ao final, os dentistas seguiram em caminhada pela Caicó, reivindicando melhoria nos salários propostos pelos municípios do Estado, em especial da região do Seridó.








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