
O II Ciclo de Atualização Científica da Grande Natal e 1ª Região de Saúde foi encerrado na sexta-feira, dia 6 de maio, com a palestra sobre Odontologia Hospitalar, proferida pelo doutor Paulo Affonso Pimentel Júnior.
Presidente da Comissão de Odontologia Hospitalar e Medicina Oral do Conselho Regional do Rio de Janeiro (CRORJ) e do staff do Serviço de Odontologia Hospitalar do Hospital Federal dos Servidores, no Rio de Janeiro, Pimentel falou sobre odontologia hospitalar no país e os desafios para inserir os cirurgiões-dentistas nessas equipes multidiciplinares para cuidar de pacientes em UTIs.

O evento, realizado no auditório do Praiamar, em Ponta Netra, reuniu durante dois dias cirurgiões-dentistas, auxiliares e técnicos de saúde bucal e técnicos em prótese dentária.
A organização do ciclo foi do CRO-RN, com apoio das secretarias de Saúde dos municípios da Grande Natal e 1ª Região de Saúde.
A palestra sobre Odontologia Hospital aconteceu das 8 às 12 horas, com o doutor Paulo Affonso Pimentel Júnior iniciando sua apresentação com um histórico da origem da etimologia da palavra hospital.
Segundo Pimentel, a palavra hospital vem do latim "hospes", que significa hóspede, e da origem a "hospitalis" e a "hospitium" , que designavam o lugar onde se hospedavam na Antiguidade, além de enfermos, viajantes e peregrinos. Hóspede, o que é recebido, e hospedeiro, o que recebe.
A partir dos séculos XV e XVI, o sentido da palavra começou a mudar para designar o local onde para onde eram levados os enfermos para tratamento.
O palestrante falou também que a Odontologia Hospitalar se baseia nos conceitos da medicina oral e ressaltou que os cirurgiões-dentistas precisam ser capacitar para ocupar este novo mercado de trabalho.
Ele citou algumas escolas que oferecem o programa de Residência em Odontologia Hospitalar, como a Escola de Educação Permanente da HC-FMUSP ( Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP).
O auditório do Praiamar recebeu cerca de 250 profissionais de odontologia para a palestra do doutor Pimentel, que durou quase 4 horas.
Ele mostrou com material visual como acontecem os procedimentos em pacientes internados em UTIs (Unidades de Terapias Intensivas).
Segundo Pimentel, o cuidado com a saúde em âmbito hospitalar exige o trabalho em equipe multidisciplinar, envolvendo médicos, enfermeiros, dentistas e outros profissionais auxiliares, visando dar condições para a recuperação do paciente.
A saúde bucal de um paciente internado numa UTI precisa de cuidados especiais. Segundo os especialistas, a condição bucal pode interferir na evolução do paciente, comprometendo o tratamento médico, já que a boca abriga microorganismos (bactérias e fungos) que alteram a qualidade, a quantidade e o pH da saliva, e que facilmente ganham a corrente circulatória, expondo o doente a maior risco de infecção.
Para o professor Pimentel, devido aos riscos de infecções, o paciente precisa de um acompanhamento permanente de um dentista. Ele acrescenta que um paciente internado pode ter sua saúde geral comprometida pela incidência, por exemplo, de periodontite.
Os especialistas dizem que a periodontite aumenta consideravelmente o risco de várias patologias, como aterosclerose, infarto cardíaco, complicações do diabetes e derrame cerebral.
Ao final da palestra, o doutor Pimentel fez um convite aos interessados em conhecer um pouco mais sobre o tema para participarem em julho do III Encontro de Odontologia Hospitalar e Medicina Oral do Rio de Janeiro.
DEBATE
Dando continuidade ao ciclo científico, no período da tarde, foi realizada uma Mesa Redonda sobre “A odonto

logia e as redes regionalizada e hierarquizada de atenção: A importância da organização da atenção básica, média e alta”, com participação de representantes do Ministério da Saúde, Moacy Júnior, das secretarias de Saúde do Estado, Goretti Menezes, e do Município de Natal, Vera Costa, além de Francisco Júnior, ex-presidente do Conselho Nacional de Saúde e Ivan Tavares de Farias Júnior, presidente do Sindicato dos Odontologistas do RN (SOERN).
A coordenação da mesa foi de Solange Maria Costa, presidente do COSEMS (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde).
Depois das apresentações sobre a situação estrutural da saúde bucal pelos representantes do Ministério da Saúde e das secretarias de Saúde do Estado e do Município de Natal, a temática dos debates ficou pela situação da rede básica na capital, com críticas a situação caótica das unidades.
A prefeita Micarla de Sousa foi responsabilizada pela situação da atenção básica, com dentistas e profissionais auxiliares, reclamando da falta de condições para trabalhar.
O ex-presidente do CNS, Francisco JÚnior, culpou os grupos políticos e econômicos pela situação da saúde no país, afirmando que nem o ministro da Saúde nem a presidente Dilma Rousseff são hoje responsáveis pela política nacional do setor.
Segundo Júnior, a visão mercantilista da saúde é que está levando o setor esta situação de privatização de serviços, além do sucateamento da rede de atenção básica, onde faltam médicos e medicamentos nas unidades, penalizando os usuários - ele defendeu uma greve geral dos servidores da saúde do município urgente ou “Micarla acaba com Natal”.
Ao final do debate, o presidente do CRO-RN, Eimar Lopes, homenageou todas as mães dentistas, entregando flores para a conselheira Aldenisia Alves Albuquerque Barbosa.
Em seguida, foram premiados três trabalhos relacionados à odontologia que foram inscritos para este II Ciclo Científico.
FONTE: Assessoria de Imprensa do CRO/RN