Médicos, dentistas e servidores de saúde protestam
contra o caos no setor no Dia da Independência
Os sindicados dos Médicos, dos Odontologistas e dos
Trabalhadores na Saúde do Rio Grande do Norte realizaram na manhã desta
sexta-feira, 7 de setembro, a marcha “Todos pela Saúde”, que saiu da praça Sete
de Setembro, em frente a Assembleia Legislativa, e terminou na Praça Cívica,
onde uma tropa da Polícia do Exército barrou os manifestantes.
Um das faixas levada por eles para o protesto dizia
“Independência é Saúde Pública de Qualidade”. enquanto cartazes diziam
"Não pago, não pagaria! Saúde não é mercadoria".
Antes de chegar à Praça Cívica, onde estava a
governadora Rosalba Ciarline e comandantes das Forças Armadas (Exército,
Marinha e Aeronáutica), os manifestantes da saúde foram barrados em várias
barreiras humanas em ruas de acesso a avenida Prudente de Morais.
A prefeita de Natal, Micarla de Sousa, como nos
últimos dois anos, não apareceu para assistir ao desfile cívico. Já a
governadora Rosalba Ciarlini chegou a ser vaiada pelo público em torno da Praça
Cívica quando seu nome foi pronunciado pelo cerimonial.
Próximo da maternidade Januário Cicco, depois de
passar o grupamento de fuzileiros navais, um grupo de manifestantes, formado em
sua maioria por estudantes de medicina, invadiu a avenida e foi barrado pelos
PMs.
Houve empurra-empurra e uma manifestante, representando a comissão de Saúde
da OAB-RN (Ordem dos Advogados do Brasil, secção do Rio Grande do Norte), foi
segura pelo braço por um soldado da PM.
A secretária de Finanças do SindSaúde ( sindicato
dos Trabalhadores em Saúde do RN), Sonia Godeiro, ao tentar ajudar a
manifestante, também foi agarrada pelo braço por um policial e houve bate-boca.
Depois de uma negociação para deixar os
manifestantes passar ao final do desfile, o grupo de estudante tentou avançar
pela calçada e foi literalmente encurralado por mais de 20 soldados da PM.
Só ao final do desfile os manifestantes conseguiram
se dirigir até a Praça Cívica, mas foram barrados no cruzamento da rua Potengi,
desta vez por um pelotão da Polícia do Exército.
Sem conseguir adiante, o
pessoal da saúde passou a gritar as palavras de ordem, como “Não pago, não
pagaria! Saúde não é mercadoria. E fora Rosalba”.
A concentração dos manifestantes começou na Praça
Sete de Setembro e a marcha percorreu as ruas Ulisses Caldas, Deodoro e
Potengi. Como nesta última via uma barreira com soldados do Exército com
escudos impediu a passagem do pessoal da saúde, a alternativa foi seguir para a
rua Trairi.
Em frente ao ginásio de Esportes, como outra barreira impediu a
entrada dos manifestantes na Praça Cívica, eles cantaram o Hino Nacional num
protesto cívico pelo descaso com a saúde por parte da governadora Rosalba e da
prefeita Micarla.
Com faixas e cartazes, médicos, dentistas
enfermeiros e trabalhadores na saúde protestaram contra o caos na saúde em
Natal e nos hospitais estaduais.
“Caos na Saúde, Falência do Governo”, “Falência da
Saúde Humilha Trabalhadores”, “Levante pela Saúde”, “Saúde Não é Mercadoria” e
“Não à Privatização” foram algumas frases de ordem nas faixas e cartazes.
CRO-RN E SOERN PARTICIPARAM DO PROTESTO
O presidente do CRO-RN, Jaldir Cortez, que
participou da marcha em defesa da saúde, considerou muito válido a
manifestação, mas ressaltou que a categoria odontológica precisa participar
mais desse tipo de protesto.
“Nós esperamos uma maior conscientização de toda a
classe para que a gente possa fazer um movimento em defesa da saúde ainda mais
forte em outras oportunidades em”, afirmou Cortez.
Segundo ele, diante do caos em que se encontra a
saúde, não só na Capital, como em todo o Estado, é necessária a realização de
mais manifestações como está para conscientizar também a população a participar
mais da defesa de uma saúde pública e rejeitar a sua privatização.
Para o presidente do SOERN, Ivan Tavares, o
protesto foi um sucesso, porém faltou uma maior participação dos
cirurgiões-dentistas nesse ato de cidadania.
Ele criticou os governos do Estado, Municipal e
Federal pela situação na saúde, afirmando que os três são responsáveis pelo
caos na rede de atenção básica e nos hospitais.
O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande
do Norte (Sinmed/RN), Geraldo Ferreira, disse que a decretação de estado de
calamidade na saúde, há dois meses, serviu apenas para o governo usufruir de
artifícios legais para fazer compras sem licitação e renovar contratos,
alegando emergência.
"A situação de calamidade foi uma ação do
Governo do Estado para sanar suas próprias necessidades, renovando contratos
emergencialmente e contratando sem licitação", afirmou. Ele denunciou que
o governo fechou 100 leitos de clínica médica no Hospital João Machado.
Quanto à escolha do dia para o protesto, Ferreira
afirmou:
“A população do Rio Grande do Norte não se sente independente! Ela
está sem segurança e sem saúde. Os hospitais, que deveriam promover a vida, se
transformaram em leitos de morte".
O presidente do SinMed considerou o protesto
uma lição de cidadania dos médicos, dentistas, dos servidores de saúdes, OAB e
dos estudantes de medicina, “cuja participação foi fundamental para que este
evento tivesse sucesso”.
Segundo Ferreira, houve alguns momentos de tensão
com a PM, mas não houve excesso de nenhuma das partes. “E nós passamos o nosso
recado para a população que não da mais para tolerar como saúde vem sendo
conduzida”, disse.
“O governo está com índices de rejeições
altíssimas, e a continuar os cuidados da saúde como a governadora está fazendo,
o governo perde a credibilidade e perde a força moral para governar”, afirmou.
O presidente do sindicato dos Médicos disse que o
problema na saúde é generalizado em todo o Estado, e Natal sofre reflexos da
falta de funcionamento dos hospitais do interior, que são de responsabilidade
do governo do Estado.
“Não há escalas de plantão, não há abastecimento,
não há equipamentos e não há laboratórios”, explicou Ferreira. Segundo ele, o
governo abandou o povo à própria sorte.
“Nós estamos aqui para dar um basta nisso! É a
sociedade mobilizada, dizendo que não aceita mais a forma como a saúde está
sendo conduzida pelo governo”, disse.
Fonte: Assessoria de Imprensa do CRO/RN