sábado, 8 de setembro de 2012

INDEPENDêNCIA: CAMINHADA PELA SAÚDE!



Médicos, dentistas e servidores de saúde protestam contra o caos no setor no Dia da Independência
Os sindicados dos Médicos, dos Odontologistas e dos Trabalhadores na Saúde do Rio Grande do Norte realizaram na manhã desta sexta-feira, 7 de setembro, a marcha “Todos pela Saúde”, que saiu da praça Sete de Setembro, em frente a Assembleia Legislativa, e terminou na Praça Cívica, onde uma tropa da Polícia do Exército barrou os manifestantes. 

Um das faixas levada por eles para o protesto dizia “Independência é Saúde Pública de Qualidade”. enquanto cartazes diziam "Não pago, não pagaria! Saúde não é mercadoria". 

Antes de chegar à Praça Cívica, onde estava a governadora Rosalba Ciarline e comandantes das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), os manifestantes da saúde foram barrados em várias barreiras humanas em ruas de acesso a avenida Prudente de Morais.

A prefeita de Natal, Micarla de Sousa, como nos últimos dois anos, não apareceu para assistir ao desfile cívico. Já a governadora Rosalba Ciarlini chegou a ser vaiada pelo público em torno da Praça Cívica quando seu nome foi pronunciado pelo cerimonial.

Próximo da maternidade Januário Cicco, depois de passar o grupamento de fuzileiros navais, um grupo de manifestantes, formado em sua maioria por estudantes de medicina, invadiu a avenida e foi barrado pelos PMs. 

Houve empurra-empurra e uma manifestante, representando a comissão de Saúde da OAB-RN (Ordem dos Advogados do Brasil, secção do Rio Grande do Norte), foi segura pelo braço por um soldado da PM.

A secretária de Finanças do SindSaúde ( sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN), Sonia Godeiro, ao tentar ajudar a manifestante, também foi agarrada pelo braço por um policial e houve bate-boca.

Depois de uma negociação para deixar os manifestantes passar ao final do desfile, o grupo de estudante tentou avançar pela calçada e foi literalmente encurralado por mais de 20 soldados da PM.

Só ao final do desfile os manifestantes conseguiram se dirigir até a Praça Cívica, mas foram barrados no cruzamento da rua Potengi, desta vez por um pelotão da Polícia do Exército. 

Sem conseguir adiante, o pessoal da saúde passou a gritar as palavras de ordem, como “Não pago, não pagaria! Saúde não é mercadoria. E fora Rosalba”.

A concentração dos manifestantes começou na Praça Sete de Setembro e a marcha percorreu as ruas Ulisses Caldas, Deodoro e Potengi. Como nesta última via uma barreira com soldados do Exército com escudos impediu a passagem do pessoal da saúde, a alternativa foi seguir para a rua Trairi. 

Em frente ao ginásio de Esportes, como outra barreira impediu a entrada dos manifestantes na Praça Cívica, eles cantaram o Hino Nacional num protesto cívico pelo descaso com a saúde por parte da governadora Rosalba e da prefeita Micarla.  

Com faixas e cartazes, médicos, dentistas enfermeiros e trabalhadores na saúde protestaram contra o caos na saúde em Natal e nos hospitais estaduais.

“Caos na Saúde, Falência do Governo”, “Falência da Saúde Humilha Trabalhadores”, “Levante pela Saúde”, “Saúde Não é Mercadoria” e “Não à Privatização” foram algumas frases de ordem nas faixas e cartazes.

CRO-RN E SOERN PARTICIPARAM DO PROTESTO

O presidente do CRO-RN, Jaldir Cortez, que participou da marcha em defesa da saúde, considerou muito válido a manifestação, mas ressaltou que a categoria odontológica precisa participar mais desse tipo de protesto. 

“Nós esperamos uma maior conscientização de toda a classe para que a gente possa fazer um movimento em defesa da saúde ainda mais forte em outras oportunidades em”, afirmou Cortez.

Segundo ele, diante do caos em que se encontra a saúde, não só na Capital, como em todo o Estado, é necessária a realização de mais manifestações como está para conscientizar também a população a participar mais da defesa de uma saúde pública e rejeitar a sua privatização. 

Para o presidente do SOERN, Ivan Tavares, o protesto foi um sucesso, porém faltou uma maior participação dos cirurgiões-dentistas nesse ato de cidadania.

Ele criticou os governos do Estado, Municipal e Federal pela situação na saúde, afirmando que os três são responsáveis pelo caos na rede de atenção básica e nos hospitais.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed/RN), Geraldo Ferreira, disse que a decretação de estado de calamidade na saúde, há dois meses, serviu apenas para o governo usufruir de artifícios legais para fazer compras sem licitação e renovar contratos, alegando emergência.

"A situação de calamidade foi uma ação do Governo do Estado para sanar suas próprias necessidades, renovando contratos emergencialmente e contratando sem licitação", afirmou. Ele denunciou que o governo fechou 100 leitos de clínica médica no Hospital João Machado.

Quanto à escolha do dia para o protesto, Ferreira afirmou: 
“A população do Rio Grande do Norte não se sente independente! Ela está sem segurança e sem saúde. Os hospitais, que deveriam promover a vida, se transformaram em leitos de morte".

O presidente do SinMed  considerou o protesto uma lição de cidadania dos médicos, dentistas, dos servidores de saúdes, OAB e dos estudantes de medicina, “cuja participação foi fundamental para que este evento tivesse sucesso”.

Segundo Ferreira, houve alguns momentos de tensão com a PM, mas não houve excesso de nenhuma das partes. “E nós passamos o nosso recado para a população que não da mais para tolerar como saúde vem sendo conduzida”, disse.

“O governo está com índices de rejeições altíssimas, e a continuar os cuidados da saúde como a governadora está fazendo, o governo perde a credibilidade e perde a força moral para governar”, afirmou.

O presidente do sindicato dos Médicos disse que o problema na saúde é generalizado em todo o Estado, e Natal sofre reflexos da falta de funcionamento dos hospitais do interior, que são de responsabilidade do governo do Estado.

“Não há escalas de plantão, não há abastecimento, não há equipamentos e não há laboratórios”, explicou Ferreira. Segundo ele, o governo abandou o povo à própria sorte.

“Nós estamos aqui para dar um basta nisso! É a sociedade mobilizada, dizendo que não aceita mais a forma como a saúde está sendo conduzida pelo governo”, disse.

Fonte: Assessoria de Imprensa do CRO/RN

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