sábado, 29 de dezembro de 2012

Representantes da Odontologia do RN se reúnem com o futuro Secretário de Saúde


Na tarde de ontem (27), representantes de entidades da odontologia se reuniram com o futuro secretário de saúde de Natal, Cipriano Maia de Vasconcelos, para apresentar a situação atual do segmento na Cidade. Representaram o SOERN o presidente Ivan Tavares, o vice-presidente, Edson Cirilo e as diretoras Teresa Neumann e Ana Estela. Na pauta estavam tópicos, como: discussão da reestruturação da rede básica; reestatização da rede - concursos; reorganização dos prontos-socorros; reorganização e reativação da mesa municipal de negociação; negociação salarial: data base (março/2013) e particularidade de cada categoria (gratificações), além da palavra do secretário sobre políticas públicas de saúde, relação com as entidades sindicais, autonomia do secretário frente ao executivo e relação com o Conselho Municipal de Saúde. Também foram abordados temas, como: eleições diretas para diretores de postos e a possível liberação dos profissionais de saúde bucal para especializações e cursos de aperfeiçoamentos.

Durante o evento, o presidente do Soern, dr. Ivan Tavares, disse que um dos principais motivos da visita era a entrega de um documento preparado por uma equipe multiinstitucional, retratando que trazia um apanhado de como está a rede básica de odontologia. "A categoria está tão conhecedora do documento, que este foi um dos temas apresentados no último congresso de odontologia, que ocorreu em Natal para participantes de 10 estados presentes", reforça Ivan.

De acordo com Ivan Tavares, hoje, a rigor, a odontologia só funciona no Morton Mariz. "Uma menina de 12 anos chegou ao Walfredo Gurgel com um abscesso enorme porque o atendimento básico não funciona. Não temos onde drenar estes pacientes. Termina na traqueostomia com mais 25 dias de antibiótico, por falta de uma simples consulta", lamenta. Ele comenta que a ex prefeita Micarla fez uma reforma com piso de quinta categoria e o material se estragou em pouco tempo. " Lá só tem uma caneta funcionando, das 26 que existem. O Morton é o que há de melhor em odontologia pública do Rio Grande do Norte e nossa opinião é que ao iniciar a reestruturação, a secretaria dê prioridade ao Morton, porque esta Unidade funcionando, pelo menos, dor de dente passará a não existir em Natal. Enquanto não se tem dinheiro para chegar nos demais, o ideal é começar pelo que já funciona".

Ivan Tavares falou também da reorganização do plano de carreira, mantendo a isonomia salarial dos profissionais do mesmo nível. "No meu ponto de vista, no âmbito estatal, não se pode haver diferença salarial para profissionais do mesmo nível", disse.

O Presidente do Conselho Regional de Odontologia, dr. Jaldir Cortez, servidor na atenção básica, expressou a sua indignação com o desmonte da atenção odontológica e a má gestão do dinheiro público no município de Natal: "Estão invertendo a lógica da atenção, os procedimentos básicos não foram priorizados nesta gestão, ocasionando um acúmulo de problemas para outros níveis de atenção. É o dinheiro público indo para o ralo", falou ele.

Recém empossado como Conselheiro Federal no Conselho Federal de Odontologia e lotado no Morton Mariz, chefiando a equipe de plantão, dr. Eimar Lopes parabenizou o secretário e classificou seu empossamento como um ato de bravura. "O ponto fundamental desse nosso encontro é tentar fazer uma espécie de parceria de gestão, tentar reconstruir, palavra que será a base dessa gestão", disse dr. Eimar, que acrescentou que o retrato do Morton Mariz não é diferente do da Cidade. "Me preocupa muito porque esta é a maior unidade de odontologia pública do Estado. Além de ser a maior, não tem os mesmos moldes do SUS, do ponto de vista positivo. Temos uma estrutura de média, bem próxima da alta complexidade da odontologia", explica. E a manutenção dos equipamentos também é importante. Um dos aparelhos de raio x, recolhido pela secretaria, não retornou ao Morton", enumera o conselheiro federal.  Ele disse também que atualmente a unidade responde só a 20% da demanda, que muitas vezes chega a 8 mil pacientes por mês.

Já o secretário de saúde de Natal, Cipriano Maia de Vasconcelos,  falou que tinha convicção, assim como os demais presentes, de que não iria ocorrer um milagre no primeiro dia de gestão. "A odontologia está sem contrato de manutenção desde maio. Não foi aberto novo pedido de licitação. Nossa ideia é fazer um contrato emergencial para dar legitimidade ao contrato e para isso esperamos contar com apoio de vocês. Vamos convocar o Ministério Público para que tudo ocorra de forma transparente. Esperamos superar esse gargalo e depois chamar o pessoal ao trabalho", promete o futuro secretário. Ele disse que em sua gestão vai cobrar horário de trabalho. "Todos vão ter que cumprir o horário acertado em contrato de trabalho. Para fortalecer toda essa perspectiva de gestão, vamos buscar dar transparência a todos os lados, reinstalar a mesa de negociação, reinstalar os conselhos de saúde e participar. Vou propor ao conselho a implantação de uma ouvidoria", disse Cipriano.

Segundo o futuro secretário de saúde, sua gestão será democrática, com base em critérios. Não vou fazer eleição de forma livre, sem qualquer qualificação ou critério. Vamos fazer um planejamento baseado em resultados. Nosso compromisso é de trabalhar intensamente para enfrentar os atuais problemas. A queda do número de atendimentos de 2009 até hoje é um retrato do caos", lamenta.

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