segunda-feira, 27 de maio de 2013

Senador Paulo Davim fala ao SOERN sobre a importância de participar dos movimentos

Ainda dentro das comemorações do mês do trabalhador, o SOERN conversou com o senador Paulo Davim sobre a importância da  participação das categoria no junto ao legislativo na cobrança de ações e projetos de leis. Confira a entrevista.


Qual a importância das categorias reivindicarem seus direitos?
A importância, primeiro, é na qualidade vida, nas condições de trabalho e, sobretudo na relação justa entre o estado, que é o patrão, e o empregado, que somos todos nós. Então isso vem marcando as grandes revoluções  trabalhistas , exatamente essa participação.
E isso começou desde o episódio que marcou o 1º de maio, que nada mais foi que uma reivindicação da classe trabalhadora explorada. Então todas as vezes que as categorias se unem e vão às ruas, participam dos eventos, manifestam a sua insatisfação, participam de debates, já que é através destas mobilizações que criam os debates, pois eles também criam as soluções para os inúmeros impasses.

=O que senhor tem a dizer para o sindicalizado que acha que pagar a taxa é suficiente e não participa de nenhuma ação?
Na verdade eu nunca vi ninguém avançar em nada com comodismo. A omissão é o pior dos pecados e tá registrado no livro de Dante Alighieri, quando mestre desce ao inferno e passa pelos omissos. Então  o indivíduo que quer avançar profissionalmente, que quer ter sua garantia respeitada, quer oferecer qualidade de vida pra sua família e ele fica nessa postura de comodidade, na verdade perniciosa, esperando que os outros gritem por ele, que outros façam mobilização que ele não se dispôs a fazer  por comodismo por medo, por desinteresse ou por não enxergar a importância destes fatos, destas mobilizações, então eu quero dizer para esses que cada um tem o futuro que merece, o futuro que plantou. Se nós queremos um futuro de tranquilidade de garantia, segurança, melhores condições de trabalho, de respeito, sobretudo, nós teremos que ir atrás, nada cai do céu, nada vem de graça. A gente é que tem que construir nossa independência, a gente é que tem que ir buscar o respeito que os patrões devem que ter conosco.

Qual o melhor canal que as categorias, em especial os odontologistas devem manter com vocês senadores para cobrar ações de melhorias?
Na politica existe o legislativo e o executivo. Qual é o papel do legislativo e fiscalizar e propor legislações que venham beneficiar a sociedade. Nesse aspecto é importante que as categorias se organizem e busque os parlamentares para apresentarem propostas, sejam de projetos de leis, emendas ou ações parlamentares que venham a contribuir nesse sentido de trazer respeito às categorias, melhores condições de trabalho, salários dignos através do instrumento legislativo que são as leis ou a cobrança do executivo. E o outro aspecto é que esses parlamentares possam ter uma postura solidária com os movimentos, sobretudo se o profissional faz parte de determinado seguimento. Ou seja, Se você é professor você tem a obrigação  moral de ser solidário com os movimentos educativos, se você é da área da você tem a obrigação  moral de ser solidário com os movimentos reivindicatórios da área da saúde. Esse é o outro lado que pode ser abordado e cobrado pelas entidades e militantes.

Como o senhor avalia a participação dos sindicatos no transcurso de projetos de lei?
É preciso ir para o congresso conversar com deputados e senadores, visitar gabinetes, membro das comissões onde as matérias se encontram, ou seja, uma presença muito ativa, muito palpável desses seguimentos politicamente organizados. Os seguimentos da saúde em geral, são de certa forma desarticulados e muito despolitizados, a gente encontra uma politização num percentual muito pequeno, sobretudo, naqueles profissionais que militam na área sindical, associativa ou em conselhos, no geral o corpo das categorias é despolitizados.

Mas essa participação é em nível de Brasil ou aqui no Rio Grande do Norte também é assim?
No Brasil inteiro é assim, evidentemente em alguns locais isso se evidência como maior nitidez, mas no geral o Rio Grande do Norte é um que manifesta essa despolitização. Eu fiz uma reunião convidando todas as lideranças médicas do Brasil há uns 30 dias, foram mais de 560 pessoas, tinha delegações  de todo o país, mas do RN só tinha um. Veja que isso foi divulgado na mídia, feito contatos telefônicos...

O senhor está citando um fato da categoria dos médicos, mas, por exemplo, os odontologistas, através do presidente do SOERN Dr. Ivan Tavares consegui emplacar uma luta nacional que é a unificação da luta pelo piso salarial único.
Aqui esse grupo que comanda a política  das categorias, são pessoas qualificadas como Ivan, por exemplo, é uma pessoa extremamente politizada, que sabe o que diz e sabe o que faz e claro que Ivan tem muito o que contribuir com os odontologistas do RN, bem como os odontologistas do Brasil. Portanto, eu acho que essas boas ideias que emanam daqui podem, e muito, contribuir com a política na nacional.

Qual o incentivo que o senhor deixa para esses profissionais que estão acomodados?
Eu vou dá um exemplo que está sendo vivenciado pelo seguimento da saúde em países que passando grandes dificuldades, que é Portugal e Espanha. Lá o desemprego neste seguimento está muito grande, esses profissionais estão amargando o desemprego desenfreado, os salários estão defasados, o médico e odontologistas estão ganhando algo em torno de R$ 3 mil reais, agora você imagina um salário desses num contexto onde a moeda é o euro. Isso é fruto dá total desarticulação das categorias nesses dois países, porque é emblemático, a Grécia, a França, Itália, todos os países da Europa atravessaram ou atravessam crises, mas nesses dois a situação dos profissionais da saúde é aviltante, isso denota a falta de aglutinação, comprometimento, ausência de uma luta que tenha sido construído paulatinamente . Então não adianta agora ir para as ruas e tentar, de uma hora pra outra, estabelecer o modelo ou forma mais respeitosa de relação trabalhista em uma situação caótica. Se esses profissionais tivessem se organizado há mais tempo, eles estariam em outra situação. Se a gente quer no futuro estar desfrutando de um grau de respeitabilidade e certa tranquilidade financeira para nossas famílias, nós precisamos conquistar e não esperar. Quem constrói os nossos caminhos, somos nós e o nosso futuro  é construído aqui e agora.

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