quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

SINDICATOS DENUNCIAM CAOS NA SAÚDE PÚBLICA

Os sindicatos que possuem base na saúde pública do Rio Grande do Norte (Sindsaúde, Sinmed e SOERN) se reuniram na manhã de quinta-feira (17/02) para divulgar algumas ações que estão sendo tomadas pelas entidades, no intuito de organizar a saúde do Estado. Várias denúncias de descaso, falta de profissionais e material deram o tom da entrevista.
Para o presidente do Sindicato dos Médicos, Geraldo Ferreira, a situação é de problema de gestão mesmo. “Não podemos ficar esperando arrecadação aumentar, repasse melhorar, há atitudes que podemos tomar agora e que precisam apenas de que se use a tecnologia que temos, de forma simples”, declarou.
Segundo ele, não adianta exigir compromisso dos profissionais e não oferecer condições dignas de trabalho. Ele enumerou a ortopedia e a psiquiatria como os maiores problemas referentes à gestão.
Muitos leitos espalhados pelos corredores do Hospital Walfredo Gurgel, e falta de organização no gerenciamento de leitos, são os problemas mais simples vividos pelos profissionais.
Aliás, este foi o assunto que mais se prendeu a diretora do Sindsaúde, Sônia Godeiro. Há mais de 06 meses sem pagar plantões eventuais e há, pelo menos, 05 sem o terço de férias, vários funcionários já passam por apuros financeiros.
Apesar disso ser um reflexo de várias gestões, o fato da nova administração ainda não ter recebido o sindicato para negociar é uma prova da falta de diálogo.
Ela deu como exemplo a privatização que vem ocorrendo em Natal. No bairro Nova Natal onde recentemente foi instalado um Ambulatório Médico de Especialidades (AME), as Unidades de Saúde da Família estão sucateadas e ameaçadas de despejo.
“Como uma unidade dessa vai funcionar bem se o município não cuida nem do básico, imaginem assumir o pronto atendimento...”, falou referindo-se ao intuito do governo em municipalizar os Pronto-Socorros regionais.
O presidente do sindicato dos Odontólogos, Ivan Tavares, também destacou a privatização da saúde como o viés do caos que vive a saúde pública.
“Primeiro eles sucateiam para poder justificar a privatização, mas aí se precariza o trabalho e não se apresenta um trabalho de compromisso para a sociedade”, disse.
O Sinmed ainda apresentou problemas vivenciados nas regionais de Mossoró, Currais Novos e João Câmara, bem como no setor de psiquiatria, considerados críticos.
O neurocirurgião Luciano Araújo também denunciou a morte de dois pacientes no Hospital Walfredo Gurgel por falta de cateter para fazer a drenagem no cérebro.
“É um dever nosso como profissionais não sermos coniventes com isso”, afirmou.
Para o diretor do Sindsaúde, Paulo Martins, o setor de psiquiatria é um dos setores que mais demanda cuidados no Rio Grande do Norte.
“A política de fechamento de leitos está deixando os pacientes do SUS desassistidos; não pode continuar dessa maneira. Quantos ainda mais vão precisar morrer para que se tome uma providência?”, questionou.
FONTE: www.sindsaudern.org.br

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